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Estava a nascer a AF Lisboa quando alguém entrou na sala a gritar: «estalou a revolução republicana!»

A história da Associação de Futebol de Lisboa cruzou-se, impressionante, com a história da revolução que desfez a monarquia. Esta é uma viagem pelos seus segredos, pelas suas peripécias: como se fez o 5 de Outubro, como a AFL perdeu o Visconde de Alvalade e acabou por se instalar num palácio que fora o símbolo do glamour em Lisboa e muito, muito mais...

A 31 de Agosto de 1908, clubes de Lisboa reuniram-se para lançar a Liga Portuguesa de Futebol. Os estatutos saíram da pena de José de Castelo Branco, jogador do CIF – e num dos seus artigos determinava-se que cada um dos seus membros teria de pagar quota de 10 mil réis. António Azevedo Meireles foi quem primeiro se indicou para presidente – mas pouco depois Januário Barreto entrou em sua substituição. O seu principal desígnio era lançar um Campeonato de Portugal – não passaria de desejo apenas, ficou-se pela organização de mais uma edição do Campeonato de Lisboa. Que os ingleses do Carcavelos FC venceram de novo.

No final da época de 1909-1910, CIF e Sporting abandonaram a Liga, a sua direcção demitiu-se – e logo depois, a 23 de Junho de 1910, Januário Barreto morreu. A gerência ficou entregue a comissão administrativa que integrava Pedro del Negro, Cosme Damião e José Neto – e marcou-se AG na sede do Real Ginásio Clube Português para se decidir o seu futuro. A maioria inclinou-se para a dissolução, havendo quem alvitrasse que os haveres da Liga deveriam ser convertidos em dinheiro para ser entregue a uma instituição de beneficência. Pedro del Negro recusou, constituir-se fiel depositário do património, que arrolou e encerrou num cofre-forte da Casa Fonseca, Santos & Viana, empresa onde trabalhava.

80 mil réis para quê?
Com base nesses 80 mil réis em dinheiro, quatro taças de prata e um estojo («três das quais em poder do Sport Lisboa e Benfica e uma em poder do Liceu da Lapa»), um relógio de parede, 10 camisolas de flanela azul e branca (o equipamento da Liga), 35 toalhas, oito exemplares da Referees Chart e um exemplar do regulamento da Féreration Internationale - comissão formada por Félix Bermudes, Carlos Vilar e Luís Raul Nunes propôs que em lugar da LPF se fundasse a Associação de Futebol de Lisboa - a 23 de Setembro de 1910. E foi o que aconteceu.

Para 3 de Outubro, de novo no Real Ginásio Clube, marcou-se a assembleia de lançamento oficial da AFL. Estavam os trabalhos a ser abertos quando Ernesto Martins Cardoso entrou na sala e, esbaforido, lançou a notícia:
- Estalou a revolução republicana!

Por entre a precipitação do momento, derramou-se um frasco de tinta vermelha sobre a papelada da mesa e delegado desafecto da monarquia, que a acta não identificou, murmurou, premonitório:
- Essa mancha vermelha é sinal de que a marcha será imparável!
E suspenderam-se os trabalhos.

Dr. Bombarda morto a tiro
Por essa altura, pelo placard de O Século, no Rossio, passara já, chocante, a notícia: «O Dr. Miguel Bombarda foi alvejado a tiros de revólver por um louco que hoje o procurou em Rilhafoles, tendo recolhido ao Hospital de S. José em estado grave. O povo de Lisboa está convencido de que o assassínio foi obra dos clericais».

Dirigente e deputado republicano, impulsionador da Junta Liberal que encabeçara as campanhas anti-clericais que, sobretudo em 1909, agitaram Lisboa, sobretudo a manifestação com 100 mil participantes que à porta das Cortes exigiu o registo civil obrigatório e a expulsão das ordens religiosas - fora baleado no seu consultório por Aparício dos Santos, antigo aluno de jesuítas no colégio de Campolide, tenente do exército a quem Bombarda estava a tratar doença mental. Transportado de automóvel para o Hospital de S. José, à entrada para o bloco de operações mandou «queimar à vista uma carta que trazia na carteira» - houve quem dissesse que era a lista do futuro governo revolucionário... – e, depois, quando sentiu imparável o seu destino parece que largou em cicio ao Dr. Francisco Gentil:
- Não queria morrer já, isso seria dar um grande alegrão à canalha que me odeia...
Não resistiu à cirurgia, faleceu às 6 e 5 da tarde. Estoiraram, então, incidentes na Baixa, a populares juntaram-se marinheiros e soldados, perseguindo e agredindo alguns padres.

D. Manuel a jogar bridge
No Palácio de Belém, D. Manuel II oferecia ao Presidente do Brasil, Hermes da Fonseca, jantar de gala – e Batalha de Freitas, o chefe do protocolo, começou, de súbito, por ordem de Teixeira de Sousa, o primeiro-ministro, a suprimir pratos à ementa - «para que tudo acabasse mais depressa» e o rei regressasse, breve, às Necessidades escoltado pelo regimento de Lanceiros 2.

No 3.º andar do nº 106 da Rua da Esperança, no prédio da mãe de Inocêncio Camacho, fizera-se reunião presidida por António José de Almeida – e o almirante Cândido dos Reis insurgiu-se contra a ideia de adiamento da insurreição, que se alvitrara:
- É hoje! A Marinha terá muita honra em ser fuzilada nas ruas pelos senhores! A Revolução não será adiada, sigam-me, se quiserem. Havendo um só que cumpra o seu dever, esse único serei eu...

Regressado do banquete de Belém, D. Manuel entreteve-se a jogar bridge com o Marquês do Lavradio e o Conde de Sabugosa. Eram 00.45 horas do dia quatro quando 30 civis armados, comandados por Machado Santos saíram do Centro Republicano de Santa Isabel, em Campo de Ourique, e entraram no quartel de Infantaria 16 aos gritos: Viva a República. Mataram o comandante do regimento, Pedro Celestino da Costa – dominaram o quartel e em coluna dirigiram-se para Artilharia 1, em Campolide. Arrombaram a porta – com intervenção pronta do ferrador Bento Vaz, assaltaram os paióis, apoderaram-se de armamento pesado. Estava lançada a revolução...

Cândido dos Reis, o Fluvial Portuense
- e o suicídio na noite da revolução...
Em 1875, David José de Pinho tinha um escaler a quatro remos chamado Tamisa – que batia todos os que se lhe opunham em regatas no Douro. Depois de uma dessas vitórias, juntou-se com amigos no Café de Santo Amaro, no Porto – e após o café decidiram fundar clube para remo e vela. Chamaram-lhe Fluvial Portuense. E a competição da Real Associação Naval, no Tejo, logo foi o Tamisa e... ganhou. D. Luís, que fora um dos fundadores da ANL, estivera lá, à borda da água, a ver, ficara encantado. À noite, havia festa num palácio – e o rei também foi. Apercebeu-se de que faltavam os rapazes do Porto, perguntou por eles, alguém, comprometido, lhe disse que fora esquecimento. D. Luís mandou buscá-los ao hotel, que se indignara com a desconsideração, bradou. Quando David de Pinho chegou ao banquete, o rei correu para ele, perguntou-lhe:
- Ficaria satisfeito se ao vosso clube fosse dado o título de Real sem pagamento dos direitos de mercê ao Estado?

Claro, o oferecimento foi aceite. Marcos Guedes tornou-se, entretanto, o grande dinamizador do Fluvial. O clube era de grande elite – e de grande disciplina militar. Dois dias antes das competições, todos os remadores eram obrigados a enclausurarem-se nas suas casas – «para não fazerem asneiras», estava no regulamento. Se não cumprissem – eram «fortemente castigados, expulsos até». E uma vez o suspenso foi Marcos Guedes porque se recusou a escrever antes de Fluvial a palavra Real com que embirrava, nunca o disfarçou. Fora ele que levara para o clube Cândido dos Reis, para seu associado, para seu praticante de regatas – muito antes de ter subido a almirante, quando era o comandante da Escola da Marinheiros do Porto...

«Para uma esquadra, não!»
Era ele, o almirante Reis – o chefe militar da rebelião de 5 de Outubro. Mas por vicissitudes várias não conseguiu entrar em nenhum dos dois vapores particulares que, no plano de revolta, deveriam levar oficiais da Marinha aos cruzadores fundeados no Tejo. Hipocondríaco, nele as crises de entusiasmo e depressão sucediam-se, ondulantes – e vendo-se em terra, mais abalado ficou ao escutar falso rumor de que Infantaria 16 saíra para a rua e estava a fuzilar o povo que fora assaltar o quartel. Dirigiu-se aos Banhos de S. Paulo, onde estavam escondidos os líderes políticos do PRP e exclamou, ao entrar:
- Já não há portugueses!

Interpelado por Afonso Costa, que o julgava a bordo dos navios sublevados, respondeu que tinha perdido a esperança no movimento. Abandonou o local no automóvel de Alfredo Leal, negociante de antiguidades, e a caminho da Rua da Estefânia, onde decidira refugiar-se, em casa das irmãs, apercebeu-se de movimentações da cavalaria da Guarda Municipal, mais se deprimiu:
– Estranho isto! Em vez de agitação revolucionária, só se vê polícias e tropas de prevenção. Não, para a uma esquadra, não! Ah! Isso, não!...

Leal deixou-o à porta do prédio – e não muitas horas depois, operário de uma obra que ia pegar ao trabalho, encontrou-o morto na Azinhaga das Freiras, em Arroios. Suicidara-se com um tiro. No fato descobriram-lhe uma bolsa de cabedal com 500 réis em prata e quatro níqueis de 100 réis e uma bolsa com uma nota de 5000 réis...

Rei fugiu em caixa de automóvel embrulhado numa manta
Mesmo sem o comando do almirante Cândido dos Reis, os cruzadores S. Rafael e Adamastor amotinaram-se e içaram bandeiras vermelhas e verdes da Maçonaria. Às 11 horas do dia 4 de Outubro, tomaram posição frente a Alcântara – e dispararam quarenta granadas sobre o palácio do rei. Uma atingiu a cornija da capela das Necessidades, outra conseguiu cortar o mastro onde estava hasteado o pavilhão real – e todas deixaram D. Manuel em pânico. Correu para o oratório suplicando ajuda divina. Pediu que telefonassem ao presidente do Conselho, o aparelho funcionava mal, percebeu que Teixeira de Sousa insistia na ideia de abandonar o palácio, hesitou:
- E não dirão que desertei?!....

Duas horas depois D. Manuel enfiou-se num automóvel que lhe foram alugar, secretamente, a uma «garage particular» - e fugiu pelas traseiras, a caminho de Mafra, «embrulhado numa manta, na caixa, escondido». Não muito longe, o carro avariou-se. O motorista arranjou-o. Poucos minutos depois de seguir caminho – «um projéctil juncou de estilhaços mortíferos precisamente o ponto onde o rei aguardara, triste e silencioso, o concerto...»

D. Amélia estava no Castelo da Pena – e D. Maria Pia no Palácio de Sintra. Era já dia 5 de manhã – quando se juntaram a D. Manuel em Mafra. Embarcaram no Amélia – que D. Carlos usara nas suas últimas regatas de vela – da Ericeira para Gibraltar. Parece que ao sair de um dos dois barcos de pesca que levaram a família real até ao iate, o rei soltou, num murmúrio:
- Desgraçado do que nasceu nesta terra!
E a mãe, juntou-lhe o desconsolo num afago:
- Não esperava isto dos portugueses!... C´est une infamie...

O engano da bandeira branca...
Na madrugada de 4 de Outubro, civis da Carbonária, comandados por Alberto Meireles, juntaram-se às tropas de Machado Santos – eram menos de 400, dispondo apenas de oito peças de artilharia. Do outro lado, controlados pelo estado-maior monárquico, calculavam-se 4470 soldados e 3771. Talvez por isso, pela manhã - oficiais do Exército, a quem já haviam contado da morte de Cândido dos Reis, considerando o movimento falido pela falta de adesão de unidades que se apalavraram na rebelião, abandonaram a Rotunda. Ficaram nove sargentos, todos da Carbonária, e alguns cadetes da Escola do Exército, que manifestaram a Machado Santos:
-Nós morremos aqui ao lado de Vossa Senhoria, pela República.

Pelotão da Guarda Municipal que vinha do quartel do Cabeço da Bola foi destroçado por bombas artesanais da «artilharia civil». Quatro peças de artilharia a cavalo da bateria de Queluz, comandadas pelo capitão Henrique Paiva Couceiro, juntaram-se à coluna governamental em Sete Rios, mas antes de bombardearem a Rotunda, três granadas disparadas do quartel de Artilharia 1 puseram-lhe em debandada homens e... animais. Nas ruas da cidade, «choças» da Carbonária sabotaram comunicações, cortaram estradas e caminhos-de-ferro, emboscaram tropas.

Era já manhã de 5 quando o Encarregado de Negócios da Alemanha dirigiu-se às tropas governamentais, solicitando armistício de uma hora para que os seus compatriotas abandonassem Lisboa. O Quartel-General monárquico, instalado no Palácio da Independência, no Largo de S. Domingos, disse que sim – julgando que pudesse ainda receber os esperados reforços de Santarém. Não chegaram – e os comandantes de Infantaria 5 e de Caçadores 5 correram ao general Rafael Gorjão a manifestar desespero pelo crescente apoio popular aos revoltosos, um deles, nem sequer suavizou sequer as palavras:
- A monarquia está ferida de morte...

Tresmalhou, gado da artilharia
Concedido o armistício, o general Gorjão enviou ordenança a cavalo com bandeira branca a acompanhar o diplomata alemão até à Rotunda para conferenciar com Machado Santos. No Torel, Paiva Couceiro suspendeu a ordem de bombardeamento da Rotunda. Para evitar que o armistício se voltasse contra os republicanos, Machado Santos arrancou às 8.35 horas, avenida a baixo, a cavalo, à frente de horda de populares, - «levava a farda desabotoada, poeirenta, barba de três dias e só uma dragona».

No Rossio, o povo alagou a praça em vivas à República – julgara que ao ver passar a bandeira branca do alemão, os monárquicos se tinham rendido. Unidades militares regressaram aos quartéis, o gado que puxava as peças de artilharia de Queluz tresmalhou e fugiu em todas as direcções – e de súbito soldados e revolucionários entraram em confraternização. Às 8.44 horas, Machado Santos entrou no Palácio da Independência – e intimou o general Gorjão a reconhecer a República. Recusou, foi-lhe dito que acabara de ser substituído na chefia do estado-maior pelo general de brigada António do Carvalhal - e um marinheiro hasteou bandeira republicana no quartel-general.

AFL em palácio das festas chique
com professor do Rei a presidente

Às 11 horas de 5 de Outubro de 1910, dirigentes do Partido Republicano Português dirigiram-se aos Paços do Concelho de Lisboa – e da sua varanda José Relvas, acompanhado por Eusébio Leão e Inocêncio Camacho, bradou: «Unidos todos numa mesma aspiração ideal, o Povo, o Exército e a Armada acabou de, em Portugal, proclamar a República». E Camacho leu a lista dos membros do Governo Provisório, presidido por Teófilo Braga...
Treze dias depois deu-se, enfim, a oficialização da da Associação de Futebol de Lisboa, a posse dos seus primeiros dirigentes. Nem todos os eleitos assumiram, contudo, os cargos. O visconde de Alvalade fora escolhido para presidente da Assembleia Geral mas não aceitou. Guilherme Pinto Basto, indigitado para presidente da Direcção, também declinou. José de Alvalade, indicado tesoureiro, igualmente disse não. Sim disseram, entre outros, Félix Bermudes, Cosme Damião, Pedro del Negro, António do Carmo, António Joaquim Sá e Oliveira, Carlos Vilar.

A presidente subiu, então, Abel Fontoura da Costa. Que, ilustre homem das ciências náuticas, fora professor particular de D. Manuel. Desempenhou o cargo apenas algumas semanas, largou-o quando teve de abandonar Portugal ao serviço da Marinha. No posto ficou António de Sá e Oliveira, pedagogo que ganhara fama como primeiro reitor do Liceu de Pedro Nunes – para onde levara o futebol como actividade habitual.

Para primeira sede da Associação de Futebol de Lisboa, a Liga Naval Portuguesa, a que também pertencia Foutoura da Costa, cedeu salas no Palácio dos Duques de Palmela, no Calhariz – mas dois anos depois, teve de deixá-la, passou para o escritório de Sá e Oliveira, o seu segundo presidente, na Rua dos Retroseiros, 149. E a Liga Naval continuou a ser o que era: espaço de glamour da Lisboa dessa era, lugar chique onde se faziam bailes de alta sociedade, se ouviam concertos, se faziam confereências. E onde em Fevereiro de 1910 se começara a montar o Museu Oceanográfico de D. Carlos.

A 8 de Outubro de 1910, Afonso Costa publicou decreto que repunha em vigor as leis pombalinas contra os jesuítas e a lei de Joaquim António de Aguiar que extinguira as ordens religiosas em Portugal. A 12 foram laicizados os feriados religiosos e a 18 abolido o juramento religioso. As procissões, o toque de sinos e a colocação de emblemas religiosos sobre as fachadas dos monumentos públicos ou dos edifícios provados passaram a ser objecto de restrições na ordem pública. Aos primeiros dias da revolução prenderam-se padres – 128 foram para Caxias, dois foram assassinados em Arroios. E foi por isso que a Afonso Costa houve quem chamasse – O Mata-Frades. Que, por essa altura, continuava, sempre que podia, a treinar esgrima...

Campo em terreno de onde se tiraram os padres
De uma das suas primeiras reuniões saiu a ideia de que a Associação de Futebol de Lisboa solicitasse ao governo da República para construção de um campo de futebol para si própria - em propriedade de que se tivessem afastado congregações religiosas. A ideia foi bem acolhida pelos secretários do Ministro do Interior e do Ministro do Fomento, mas acabou por não passar disso...

Com os 80 mil réis que recebera de legado da Liga Portuguesa de Futebol, a Associação de Futebol de Lisboa pagou 46$860 réis de despesas de fundação. E contratou para os seus serviços um escriturário e um contínuo, com vencimentos de 6000 e 3000 réis. E decidiu-se que pela filiação de cada jogador se cobrariam 120 réis...

Da renda de 32$50 à sopeirinha de Cândido de Oliveira
A 23 de Junho de 1911, ao passar o aniversário do seu falecimento, a AFL realizou sessão de homenagem a Januário Barreto no Ginásio Clube Português – descerrando-lhe retrato. Depois, com metade da receita de um jogo entre um misto português e um misto estrangeiro: 218$15 - criou o Prémio Januário Barreto, que integrava uma «obrigação (sopeirinha) de valor nominal de 10$00».
Pediu-se ao director da Casa Pia que indicasse aluno que o merecesse. Ele pôs à votação da escola – e o eleito foi o nº 3466. Chamava-se Cândido Fernando Plácido de Oliveira – e começava a rasgar a história, a história do futebol e não só...

Depois do glamour do Palácio de Palmela e do escritório de advogados do seu segundo presidente, em 1913 a Associação de Lisboa mudou-se para a Travessa da Glória, nº 22 – dividindo o espaço com o Grupo Sport Cruz Quebrada, por a renda ser «um tanto elevada para as posses da AFL»: 32$50. Ainda se estava à espera da federação...

Por António Simões, Jornal A Bola