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Do visconde de esgrima, as armas que mataram o rei...

Em 1900, torneio de esgrima na Sociedade de Geografia. Ganhou-o Sebastião de Herédia. Recebeu o prémio das mãos de D. Amélia. Foi com o dinheiro do Visconde da Ribeira Brava, pai de Sebastião, que se compraram as armas que, oito anos depois, deixaram a rainha viúva. Mas até lá, um rodopio de histórias, atentados e revoluções falhadas. Para Francisco de Herédia, fim trágico – degolado

Em 1900, na Sala Portugal da Sociedade de Geografia, António Martins organizou um torneio de esgrima, com a colaboração da Real Academia dos Amadores de Música. O «programa da festa» foi desenhado pelo pintor Carlos Reis. Trabalhara ao balcão da Tabacaria Nunes, ao Rossio, de um parente seu, que ao aperceber-se do jeito para o traço juntou empenhos para o matricular na Escola de Belas Artes. D. Carlos, ainda príncipe real, ofereceu-se para o ajudar – estabelecendo-lhe pensão de cinco libras para garantia de estudos e foi assim que Reis se tornou num dos maiores pintores naturalistas da história, deslumbrante pelas suas cenas de quotidiano muito mais do que pelas suas imagens da realeza e da nobreza.

Com os reis e os príncipes empolgados com os combates – não se fizeram provas só para jovens, como um ano antes – essa foi, pois, assim, a primeira vez que em Portugal «os esgrimistas mais conhecidos concordaram em submeter-se ao veredicto dos toques», a vitória na «poule principal» foi para o «distinto amador» Sebastião de Herédia. A quem coube «estojo com cigarreira e fosforeira de prata lavrada e oxidada oferecida pela Rainha». Das mãos de D. Amélia recebeu o prémio. Sebastião era filho de Francisco Correia de Herédia, Visconde da Ribeira Brava, que ganhara fama de atirador também quando, anos antes, a esgrima ainda só exercício de animação de salões, forma de glamour, preparação para o ritual dos duelos – em que a honra se limpava a pingos de sangue e toques de audácia.

«No governo, um rábula»
O título de Visconde da Ribeira Brava fora criado em 1871 pelo rei D. Luís para agraciar António Correia de Herédia, par do reino, presidente da câmara e governador civil do Funchal, pelo seu trabalho humanitário na ilha da Madeira. Sugeriu que o atribuísse ao filho varão – e foi o que aconteceu. Francisco Correia de Herédia tornou-se figura notável do Partido Progressista de José Luciano de Castro, ele e José Maria de Alpoim. Deixaram-no – quando se lançaram ambos na Dissidência Progressista e se encostaram ao Partido Republicano, por não concordarem com o modo como o seu próprio governo resolvera a Questão dos Tabacos, renovando contrato de monopólio à empresa de Henry de Burnay. Ficou outra vez o país – em tumultos e contestações.

Nos primeiros meses de 1906 houve jornais apreendidos, marinheiros amotinados e estudantes em manifestações, os do Liceu do Carmo em Lisboa, por exemplo, queimaram charuto gigante de cartão onde se lia: Abaixo o Governo - e a 19 de Março o governo de José Luciano caiu mesmo. A 19 de Maio, D. Carlos acabou com o rotativismo entre regeneradores e progressistas que vinha de 1893, pôs João Franco a primeiro-ministro e ele prometeu: «tolerância e liberdade para o país compreender a monarquia». Não cumpriu - e em Outubro, Afonso Costa voltou ao ataque no parlamento: «à frente do governo está um rábula».

Em Abril de 1907, João Franco promulgou nova Lei de Imprensa. Que logo se percebeu que era Lei Contra a Imprensa. D. Carlos fechou as cortes, abriu a ditadura. Franco foi em viagem ao Porto – apedrejaram-lhe o comboio, houve tumultos e tiros. No regresso, apanhou manifestação de republicanos e dissidentes monárquicos no Rossio, houve feridos e mortos. Foi o ano do primeiro Campeonato de Lisboa de futebol. Ganhou-o o Carcavelos FC, dos empregados ingleses da Telegraph Company, a empresa que em Carcavelos tratava do Cabo Submarino Telegráfico – que permitia contactos de voz entre a América e a Grã-Bretanha. Em segundo lugar ficou o Sport Lisboa que alguns meses depois passaria a Sport Lisboa e Benfica...

Para salvar criança, salvou-se Franco...
Numa reunião de Herédia e Alpoim com Afonso Costa e Alexandre Braga, a 11 de Julho de 1907, na casa de Ribeira Brava, à Avenida da Liberdade, lançaram-se as primeiras ideias de movimento que «atentasse contra Franco, o ditador» - como única forma de «resgatar Portugal à ditadura». Eram precisas armas – e foram encomendas a Gonçalo Heitor Ferreira, carbonário com loja à beira da estação do Rossio: nove carabinas Winchester calibre 351 e um lote de pistolas FN-Browning. Pagou-as Francisco de Herédia. Levantou o material na primeira semana de Janeiro de 1908, escondeu-o nos Armazéns Leal, na Rua de Santo Antão. Desconfiado, o comandante da polícia marcou fazer busca à loja, mas antes dos seus agentes lá chegarem, da esquadra saiu aviso a Afonso Costa. Telefonou a Alfredo Leal que, enroladas em tapetes e alcatifas, as levou no automóvel de Ribeira Brava, para a casa de Luís Grandela, irmão de Francisco, o dono dos Armazéns do Grandela. Aos 12 anos chegou a Lisboa para trabalhar como marçano – e em 1881 fundou, inspirado no Printemps de Paris, os Armazéns Grandella. Revolucionou o comércio – vendendo o mais possível ao menor preço possível – e por causa disso os seus rivais acusaram-no de usar produtos de contrabando. Não usava – e utilizou o remoque para fazer campanha de publicidade, como nunca antes se vira. Enriqueceu, tornou-se mecena de artistas, fundou o Teatro da Rua dos Condes e o célebre Club dos Makavenkos – e depressa ganhou reputação de «patrão solidário», construiu bairro de habitação para os seus empregados, um sanatório para ajudar a luta contra a tuberculose – e, amigo íntimo de Afonso Costa, aderiu ao Partido Republicano, através dele chegou a vereador da Câmara de Lisboa...
.A ideia estava, pois, determinada: liquidar Franco. E fixaram-na mais do que uma brigada da Carbonária. Por exemplo, ainda em Janeiro, salvou-se por pouco, vinha de dormir, em segredo, na casa da cunhada, a Condessa de Carnide – e José Relvas contou nas suas Memórias: «Um grupo postado na Estrada de Carnide, ficou à espera da passagem do carro de Franco. Um dos conjurados devia lançar uma bomba sobre o automóvel, cuja identificação seria feita por outros, colocados à distância, encarregados de a garantir por sinais convencionais. Em certo momento, e à passagem dum auto, foi dado o sinal; logo o conspirador acendeu a mecha da bomba, mas como no momento de se aproximar o auto de uma criança, que seria irremediavelmente vítima da explosão, se interpusesse entre o carro e o comjurado, este, não tendo outro meio de extinguir a mecha, apagou-a metendo-a na boca, com o risco iminente da própria vida».

28 de Janeiro ou o golpe do Elevador...
A 23 de Janeiro de 1908, um guarda que se julgava envolvido com os revolucionários denunciou o local onde se guardavam as armas que Herédia pagara – e na sequência disso António José de Almeida e João Chagas foram presos. Afonso Costa tomou as rédeas da conspiração, marcou-a para 28 de Janeiro. A ideia continuava a ser «o assassínio de Franco». Comandos carbonários procuraram-no em casa, junto à Avenida da Liberdade – não o encontraram. Continuava no «jogo do escondidinho», nessa noite dormira na casa de Maria Luísa Schindler, a sogra, à Junqueira.

Combinado ficara também que os líderes revolucionários aguardariam os acontecimentos no Elevador da Biblioteca, a São Julião, de onde sairiam para a Câmara Municipal mal recebessem a informação de que a rebelião triunfara. A notícia não chegava, caiu a noite, entretanto. Polícia achou estranho tanta a gente a entrar e a sair do elevador que já não estava em funcionamento – e avisou o chefe da Esquadra da Câmara. Pouco depois quem lá estava, estava na prisão. Eram mais de 100, entre eles, Afonso Costa – que fora disfarçado, de cara rapada... -, Francisco de Herédia – que tentara a desculpa de que era um simples passageiro apenas... -, Egas Moniz – que encontraram escondido na casa de banho. E José Maria Alpoim? Esse conseguiu escapar de automóvel para Espanha – contou-se que com a complacência de D. Carlos. Júlio de Vilhena, que após a morte de Hintze ficara à frente dos regeneradores, aventou: « Isto ou acaba numa revolução ou num crime». Não se enganou...

Atentado, doença de... Rei
Entretanto, Guerra Junqueiro atirara a D. Carlos como nunca antes ninguém o fizera: rude, brutal, numa crónica no jornal A Voz Pública: «Nós somos escravos de um tirano de engorda e vista baixa. É inaudito que o ventre de um porco esmague uma nação e dez arrobas de sebo achatem quatro milhões de almas. Que ignomínia! Basta!» - e em Abril de 1907 foi condenado a 50 dias de prisão pelas injúrias que lançara.

É, o Rei já sabia os riscos que corria – mas não lhes ligava. «D. Carlos saía todos os dias, de carruagem aberta, sem escolta, acompanhado unicamente pelo seu camarista ou ajudante de campo. Descia vagarosamente o Chiado, subia a Avenida e regressava às Necessidades, sem que ninguém se lembrasse de atentar contra ele», revelou o Marquês do Lavradio. D. Luís Filipe, o Príncipe Real, parecia mais preocupado: «Quando vou com o meu pai, levo sempre na mão o revólver. Se alguém atentar contra ele, atiro-lhe; mas, se por fatalidade não chegar a tempo, mato-o». Mas, de súbito, D. Carlos começou a achar que talvez fossem melhor outras cautelas: «Costumava dizer por graça, que os Reis, além das doenças a que estavam sujeitos, como qualquer mortal, tinham mais uma: o atentado»...

Quando a 31 de Janeiro de 1908, D. Carlos promulgou em Vila Viçosa o decreto que permitia a deportação para as colónias dos presos políticos e a quebra de imunidade parlamentar a todos os opositores do regime e murmurou: «Estou a assinar a minha sentença de morte». Acertou. Nos meses anteriores fora algumas vezes ver futebol às Salésias – sentado em cadeirão real que se colocava à beira da linha de meio-campo. Foi nessa época que o CIF ganhou em Espanha 2-0 ao Madrid FC, que pouco tempo depois ficou Real Madrid FC – e o FC Porto também se estreou no estrangeiro contra o Fortuna de Vigo, o resultado é que nunca se soube...

No Terreiro do Paço, o Regicídio
No dia 1 e Fevereiro, deu-se, então, o regresso da família real de Vila Viçosa. João Franco, para não dar «sinal público de preocupação», mandou que fossem destacados apenas 16 polícias à paisana para o Terreiro do Paço e não os habituais 40. «Estava convencido de que todo o ódio que existia era somente contra ele e só ele corria perigo», revelaria o Marquês do Lavradio...

Quando o vapor D. Luís atracou, apontando para o landau descoberto, puxado por uma parelha, o tenente-coronel Alfredo de Albuquerque, explicou:
- Foi el-rei que quis assim. Eu tencionava mandar automóveis para os levar para as Necessidades. Mas el-rei telegrafou-me a mandar o contrário. Por ordem de Sua Majestade é que a família real vai em carruagem aberta...

Por ali, à espera, acotovelavam-se duas dúzias de famílias nobres, as marquesas do Faial e do Lavradio, a condessa das Alcáçovas e a de Figueiró, os condes de Sabugosa, um herói das campanhas de África, o capitão Roçadas, oficiais do Exército. Em redor da duquesa de Palmela alguém falou falou da estreia da noite: «a é primeira vez se vai cantar no São Carlos o Tristão e Isolda».

A um canto parece que o general Malaquias de Lemos deitou água para a fervura, que ninguém se preocupasse com os boatos que fogacharam pela cidade: que a deportação de chefes revolucionários presos no Elevador da Biblioteca provocaria vários atentados bombistas.

D. Carlos, de uniforme de generalíssimo, boné agaloado a oiro e capote de gola carmesim, D. Amélia, de grande chapéu enfeitado de flores, o casaco negro de marta com a gola soerguida, e luvas brancas, D. Luís Filipe, chapéu alto e sobretudo negro – aconchegaram-se no landau guiado pelo cocheiro Bento Caparica. O rei levava um revólver Smith & Wesson calibre 32, no bolso do capote. De súbito, do lado da praça, quase em frente do Ministério da Fazenda, escutou-se o estalido seco de uma primeira detonação. Homem de longo varino e barbas, vindo da placa central do Terreiro do Paço, tirou uma carabina da capa, assentou o joelho em terra e desatou a disparar. Era Manuel Buíça, 32 anos, professor de um colégio privado, filho de um padre, com a sua Winchester. O primeiro tiro acertou no pescoço de D. Carlos, quebrando-lhe a coluna vertebral, matando-o instantaneamente. Há mais tiros...

Repentinamente, um vulto franzino de rapaz, de Browning FN, de calibre 7,65 em punho, cortou o cordão de curiosos e polícias, põs o pé no estribo da carruagem real e disparou duas vezes sobre D. Carlos, já sem vida. Era Alfredo Costa, 21 anos, sindicalista, ex-caixeiro dos Grandes Armazéns do Chiado – e apavorada D. Amélia fustigou a cabeça do homicida com o ramo de flores que uma afilhada lhe dera na gare. Antes do príncipe D. Luís Filipe se levantar e apontar o seu Colt calibre 38, Costa atingiu-o. E foi Buíça quem, depois, lhe atingiu a cabeça...

«Olha, já morreu o canalha»
Acabou ele também, e como ele Costa, liquidado ali mesmo, a tiro e à espadeirada. Tinham assumido a acção - por não suportarem a ideia de ter Afonso Costa e outros ilustres republicanos na cadeia e em vias de serem deportado para Timor. As armas que usaram - tinham sido as que vieram de Hamburgo, as que Ribeira Brava pagara. E Miguel de Unamuno contaria que, no dia seguinte, ao passear com José Maria Alpoim, na Plaza Mayor de Salamanca – ele, vendo passar outro português, lhe gritou: «Olha, já morreu o canalha!»

De Buíça se ficou a saber que três dias antes fizera testamento – que dizia assim:
Manuel dos Reis da Silva Buiça, viuvo, filho de Augusto da Silva Buiça e de Maria Barroso, residente em Vinhaes, concelho de Vinhaes, districto de Bragança. Sou natural de Bouçoais, concelho de Valpassos, districto de Vila Real (Traz-os-Montes); fui casado com D.Herminia Augusta da Silva Buíça, filha do major de cavalaria (reformado) e de D.Maria de Jesus Costa. O major chama-se João Augusto da Costa, viuvo. Ficaram-me de minha mulher dois filhos, a saber: Elvira, que nasceu a 19 de dezembro de 1900, na rua de Santa Marta, número… rez do chão e que não está ainda baptisada nem registada civilmente e Manuel que nasceu a 12 de setembro de 1907 nas Escadinhas da Mouraria, número quatro, quarto andar, esquerdo e foi registado na administração do primeiro bairro de Lisboa, no dia onze de outubro do anno acima referido. Foram testemunhas do acto Albano José Correia, casado, empregado no comércio e Aquilino Ribeiro, solteiro, publicista. Ambos os meus filhos vivem commigo e com a avó materna nas Escadinhas da Mouraria, 4, 4º andar, esquerdo. Minha família vive em Vinhaes para onde se deve participar a minha morte ou o meu desapparecimento, caso se dêem. Meus filhos ficam pobrissimos; não tenho nada que lhes legar senão o meu nome e o respeito e compaixão pelos que soffrem. Peço que os eduquem nos principios da liberdade, egualdade e fraternidade que eu commungo e por causa dos quaes ficarão, porventura, em breve, orphãos. Lisboa, 28 de janeiro de 1908. Manuel dos Reis da Silva Buiça. Reconhece a minha assignatura o tabelião Motta, rua do Crucifixo, Lisboa...»

64 contos para os orfãos de Buiça...
O jornal O Mundo abriu subscrição em favor da viúva e órfãos de Buiça que rendeu 64 contos de réis. O seu coval e o de Alfredo Costa, sempre cobertos de flores, no Alto de S. João viraram espaço de culto. Jornais ingleses fizeram manchetes com imagens disso – e uma palavra a legendá-las: «Vergonha». E Guerra Junqueiro escreveu: «O Partido Republicano nem organizou, nem aconselhou o atentado. O atentado foi obra única de dois homens. E, contudo, as balas da morte partiram da alma da nação. E diante do cadáver dos homicidas, descubro-me, ajoelhando, com frémitos de terror, lágrimas de piedade e de admiração e de carinho. Mataram? É certo. Ferozes? Sem dúvida. Mas cruéis por amor, ferozes por bondade».

Três dias antes de o matarem, andara D. Carlos em mais uma caçada com D. Luís Filipe por Vila Viçosa. Abateram-se 90 coelhos, sete perdizes, cinco raposas e um tordo. Ao sabê-lo morto, D. Maria Pia, a mãe, descarregou a ira em João Franco: «Diziam que o senhor era o coveiro da monarquia. Foi pior. Foi o assassino de meu filho e de meu neto.» E logo D. Manuel II o atirou para o exílio – criando gobernó que anunciou ser de «acalmação», com amnistia aos presos políticos, regresso à liberdade de expressão, perdão aos jornais fechados...

Degolado na «Leva da Morte»
Governador da Madeira após a implantação da República, Francisco Correia de Herédia passou, num ápice de herói a mártir, vítima da própria República que ajudara a criar. Sidónio Pais atirou-o para a lista dos seus «proscritos» - para os ferros de um calabouço. Mataram-no a 12 de Outubro de 1918 - na Leva da Morte, nome com que entrou para a história a chacina da Rua Victor Córdon. Era então deputado republicano. De manhã houvera em Coimbra rebelião contra o governo de Sidónio Pais. Em Lisboa e no Porto não - mas apesar disso encheram-se as prisões de presos políticos, gente do Partido Republicano sobretudo. Não cabendo mais nos calabouços do Governo Civil, decidiram transferir 153 deles para os fortes do Campo Entricheirado: São Julião da Barra, Alto do Duque e Caxias, num comboio especial do Cais do Sodré. 253 guardas abriram o cortejo com corneteiros e tambores – era uma cilada. Na Rua Victor Córdon soou um tiro - e a polícia ripostou. A Herédia descobriram-no depois numa valeta, degolado por golpe de baioneta. No dia seguinte, o Governo emitiu comunicado afirmando que tudo começara porque o ex-Visconde da Ribeira Brava disparara sobre os guardas da escolta, tentando evadir-se, com uma pistola que «entrara na prisão dentro de um tacho de açorda»! Era mentira, a pistola nunca a encontraram...

Sebastião, herói olímpico
Muitos anos passados, Isabel de Herédia, sua trineta, casou-se com D. Duarte, Duque de Bragança. E Sebastião de Herédia, o filho, que recebera o seu primeiro grande prémio das mãos da rainha D. Amélia, tornou-se figura incontornável no desporto nacional: com o ciclismo a dar os primeiros passos ganhou várias corridas em Paris, os franceses chegaram a colocar hipótese de o levar em 1896 a Atenas à primeira edição dos Jogos Olímpicos, deixaram-na cair por ser português, foi dos primeiros sócios do CIF, do Sporting e do Carcavelinhos,jogou futebol, hóquei em campo e ténis – e já engenheiro químico pelo IS Técnico, representou Portugal no pentatlo moderno dos Jogos Olímpicos de 1928 e 1932

Por António Simões, Jornal A Bola